José Régio, o Homem, a Vida e o Legado

” A minha Arte será completamente livre de toda a regra que não seja o meu Sentir “

José Régio

José Régio, nome literário de José Maria dos Reis Pereira, nasce em 17 de setembro de 1901, em Vila do Conde, cidade onde passa a infância e adolescência e faz os primeiros estudos.

Após uma estadia de dois anos no Porto, para concluir o 3.º ciclo do curso liceal, parte para Coimbra para frequentar a Faculdade de Letras. Aí se licencia em Filologia Românica, em 1925, defendendo a tese intitulada “As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa”, trabalho onde foi feita, pela primeira vez, a apologia dos poetas da revista Orpheu.

Vila do Conde
Coimbra

A atividade literária em jornais e revistas inicia-se cedo na sua vida. A 25 de dezembro de 1921 publica, pela primeira vez, com o nome literário José Régio, no jornal A República, de Vila do Conde, o poema “Toada do Natal”. E ao longo da década de 20, colabora nas revistas portuenses Crisálida e A Nossa Revista e também nas coimbrãs Bizâncio e Tríptico.

Mas é em Coimbra, convivendo com os intelectuais que marcaram um dos períodos mais fecundos do séc. XX da literatura portuguesa e contactando com as obras que o influenciarão, que o seu caminho literário realmente se consolida.

Em 1926 publica o seu primeiro volume de poesia Poemas de Deus e do Diabo, assinando-o com o nome literário José Régio e, em março de 1927, funda com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca a revista Presença que durou treze anos e foi considerada o órgão divulgador do “modernismo”, com a divulgação e valorização de autores como Fernando Pessoa, Mário Sá-Carneiro e Almada Negreiros, e que pela primeira vez reconhece a literatura «no feminino» – a Presença foi a primeira revista literária a publicar textos da autoria de mulheres – revelando nomes como Irene Lisboa, bem como chamando a atenção para a obra de Luísa Dacosta e Agustina Bessa- Luís, entre outras.

Poemas de Deus e do Diabo
Portalegre

Concluído o Curso da Escola Normal, inicia a carreira docente, com uma breve experiência como professor provisório, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, até ser nomeado, em 1930, professor efetivo no liceu de Portalegre, cargo que exerceu por mais de 30 anos.

Trabalhador incansável, partilha sempre as tarefas docentes com múltiplas atividades.

Além da criação literária, mantém a colaboração em jornais e revistas como crítico e polemista. É de realçar o seu envolvimento político, quando as situações críticas da vida nacional o justificavam, mantendo-se sempre firme e frontal nos seus ideais socialistas, apesar do regime repressivo de então.

O isolamento de que tanto gosta não o impede de frequentar as tertúlias dos cafés, nem de manter contacto intenso com os meios literários e artísticos.

Assume também a faceta de colecionador de peças antigas de arte sacra e popular, com as quais recheia as suas duas casas, em Portalegre e em Vila do Conde, transformadas em casas-museus a partir da década de 70.

Reforma-se em 1962 e, desde então, vive entre Vila do Conde e Portalegre, até que em 1966 se instala definitivamente em Vila do Conde.

Morre a 22 de dezembro de 1969, vítima de doença cardíaca, na sua casa em Vila de Conde.

Edição da Revista Presença
Assinatura de José Régio
José Régio e as suas “terras de afeição”: Vila do Conde, Coimbra e Portalegre

Evocar José Régio é também promover a sua memória de e para as suas gentes e as suas “terras de afeição”, nomeadamente Vila do Conde, Coimbra e Portalegre.

Para cumprir esta visão, importa dar a conhecer a novos públicos, aos mais jovens, e ao País, a vida, a obra e o legado de José Régio, através de um programa de atividades vasto e multifacetado que agora se inicia e que decorrerá até dezembro de 2020, com cariz nacional e local.

Vila do Conde

Vila do Conde, espraiada

Entre pinhais, rio e mar!

 Lembra-me Vila do Conde,

Já me ponho a suspirar.

José Régio, “Romance de Vila do Conde” – Fado

Coimbra

Sonhava com a minha Coim­bra de António Nobre, com a boémia de Coimbra, com a paisagem de Coimbra, com o romantismo e todos os mitos mais ou menos poéticos de Coimbra…

José Régio, Confissões dum Homem Religioso

Portalegre

Em Portalegre, cidade

Do Alto Alentejo, cercada

De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros

Morei numa casa velha,

Velha, grande, tosca e bela,

À qual quis como se fora

Feita para eu morar nela ….

José Régio, “Toada de Portalegre” – Fado

Comments are closed.